Web Summit 2022: a tecnologia é para todos!

Greg Lopes
Greg Lopes

UX/UI Manager

A tecnologia precisa ser feita por todos e para todos

Esse é meu primeiro Web Summit, e o que vou levar comigo desse evento e dividir aqui com vocês: aprendizados, experiências e reflexões importantes sobre o mundo real e o digital; o que as pessoas procuram e o que as marcas estão trazendo.

O Web Summit é o maior evento de tecnologia e inovação do mundo, reuniu 71 mil pessoas de mais de 160 países diferentes, mais de 1000 palestrantes, 2300 startups, 1000 investidores e com 42% de participação de mulheres, aconteceu na Altice Arena em Lisboa-Portugal entre os dias 01 e 4 de novembro.

Como foi estar lá? Incrível!

Analisando e apontando os pontos de fricção: no geral, a experiência poderia ter sido melhor.

Os participantes enfrentaram filas enormes para entrar todos os dias. O mesmo aconteceu para comer e ir ao banheiro (com poucas unidades e estavam sempre sujos). A sinalização estava bem fraca e não tinha ninguém ajudando, foi o verdadeiro “te vira aí para achar o que precisa”. As cadeiras ficavam muito próximas (muito mesmo!). A previsão era de chuva e nada foi feito para proteger as pessoas na fila da entrada, além disso, parte dos food trucks ficavam a céu aberto, o que dificultava a compra de comida e, consequentemente, deixava os cobertos ainda mais cheios.

Um ponto bacana na organização foi o aplicativo do evento. Ajudou muito a navegar entre as palestras, assistir às palestras, se conectar com pessoas, agendar reuniões. É de longe o melhor aplicativo de eventos que eu já vi em eventos.

Pois bem, vamos ao que importa.

Passado e presente

O pronunciamento de abertura com o ministro da economia português e o fechamento com o maravilhoso presidente português, posiciona o país quanto a atrair startups e investidores, sem deixar de lado as preocupações com o meio ambiente, desenvolvimento local e educação.

Bons exemplos de ações de Portugal são, além do próprio evento Web Summit, a mudança das leis de startups, criando o programa de stock options — um pacote de 90 milhões de euros para apoiar 3 mil startups ao longo de 4 anos — o programa de incubadoras espalhadas nas universidades portuguesas, o incentivo forte a pesquisa nas universidades e colégios. Isso tudo levou o país europeu a ser escolhido como sede da agência de startups da União Europeia.

Portugal tem uma visão clara do que quer, e tem bem estruturado como construir isso: incentivando e atraindo capital criativo e intelectual para gerar riquezas e usando esses resultados para avançar em pautas sociais.

Um belo exemplo!

A tecnologia tem um papel fundamental na mudança cultural não só das empresas, mas principalmente, da sociedade como um todo. Não só pela tecnologia em si, mas por ela expandir as capacidades humanas e possibilitar criarmos mundos completamente novos — o que é um paradoxo, já que novo não significa, necessariamente, melhor.

“Ah, Greg! Achei que o evento era de tecnologia e negócios mas você só falou de política!”

Sim, isso mesmo! O evento é sobre negócios digitais, no entanto, teve muita política: teve ministra da Ucrânia pedindo ajuda para comunidade, teve palestra falando de como os dados ajudam os governos a tomar decisões, teve discussão sobre ética no uso de dados e IA, teve discussão sobre a regulamentação da mídia, maneiras de controlar a disseminação de mensagens de ódio, fantasiosas e contra a ciência, questões como as Big Techs devem agir e priorizar features e produtos que ajudem nessa jornada — de tornar a internet um local mais seguro e evitar que ela vire ferramenta apenas de manipulação — muitas falas e questionamentos sobre a automação do trabalho humano, o uso de IA e a ética necessária para isso.

Olha o que foi dito na palestra “Preservando as informações mais importantes da humanidade: antes e agora” (Preserving humanity’s most important information: then and now) de Jimmy Wales da Wikipedia e Marta Belcher do File Coin Foundation.

Viu só? Quem falou que se faz negócios e tecnologia sem fazer política?

A internet de amanhã

“Temos a importância latente de manter confiança e algum nível de governança sobre as informações”

Sem dúvidas, o assunto do momento é o metaverso.

No Web Summit, essa visão foi mostrada de uma maneira mais simples do que a ideia de um universo digital (como a Matrix) e mais como uma soma de aplicações, devices, tipos de telas e, principalmente, a governança disso tudo, para romper as barreiras e resultar numa experiência realmente boa e imersiva.

O metaverso já é uma realidade que existe e você provavelmente já esteve nela em jogos, em apps, com realidade aumentada e com realidade virtual. Ikea, Nike, Sony, entre outras, são empresas que já usam essas tecnologias para vender produtos tanto no virtual quanto no mundo físico — e o verdadeiro obstáculo está aí: romper as fronteiras dos mundos digital e físico.

Aliás, o phygital é o caminho!

E ainda existem muitas questões a serem respondidas sobre esse tema:

  • Como fazer bem feito a troca do físico para o virtual?
  • Como escalar infraestrutura tecnológica para isso?
  • Como fica a experiência ao longo da jornada?
  • O metaverso tem um problema de infraestrutura, como vamos suportar o volume disso?
  • Pensar na experiência completa: qual o local físico do acesso?
  • É seguro? E é saudável mentalmente, fisicamente?
  • Como fazer isso sem destruir mais o mundo com consumo extra de energia?
  • E as regras, leis e ética?
  • Existe a clara oportunidade de vender nos dois universos e permitir customização e evolução no metaverso?
  • O que pode virar uma venda no físico: como dar suporte no mundo real e no metaverso simultaneamente?
  • Quais canais existem no metaverso?

Enfim, estou de orelhas em pé para buscar respostas para pelo menos algumas dessas perguntas, afinal, eu acredito e vejo grande oportunidade de negócios nelas.

Sir Tim Berners-Lee — o criador da internet

O inventor da internet trouxe algumas perspectivas interessantes sobre a chamada Web3 (Web3 é uma ideia para uma nova interação da World Wide Web, baseada na tecnologia blockchain, que permite o compartilhamento transparente de informações e economia de tokens, sem pontos centrais de controle).

“Web3 será criada sobre a web2, uma evolução e não algo totalmente novo”

Nas discussões sobre web-free, trouxeram a possibilidade de o metaverso ser mais amplo e inclusivo, afinal, se o metaverso é um mundo digital, ninguém pode ficar de fora dele.

As comunidades do futuro

Tudo é ecossistema, nada mais é isolado e todos são Criadores (Makers) e Usuários (Users) do sistema e os ecossistemas são formados e mantidos pela ideia de comunidade.

Tecnologia e inovação são, no final das contas, sobre comunidade, assim como era o propósito da internet criada por Berners-Lee. A transformação digital dos mercados e das sociedades seguem o mesmo propósito, e também os mesmos desafios.

Na palestra Ayo Tometi, fundadora do movimento Black Lives Matter ela conta como o movimento se estruturou e cresceu graças às pessoas, que além de sua vontade de participar e se dedicam a lutar, aportavam seus conhecimentos específicos, como designers, desenvolvedores, advogados e foi isso, mais a capacidade de conexão das redes sociais que fez o movimento florescer.

“As pessoas negras têm lutado desde que foram raptadas de África e trazidos para outras partes do mundo. Sempre fizemos tudo o que podemos para lutar pela nossa liberdade. Reconhecemos que não é só sobre as ferramentas, mas sobre as vozes e as pessoas que foram movidas por elas.”

E por falar em comunidades, a comunidade brasileira é incrível e respeitada, era a 3º maior comitiva do evento, atrás apenas de Reino Unido e Alemanha.

O Brasil é um modelo quando se fala em inovação digital.

Os destaques brasileiros se conectam muito com a palestra de Brian Collins, “Construindo um futuro melhor em escala” (Building a better futures at scale):

“Equilíbrio entre atividades intencionais e não intencionais, lógica e criatividade, razão e emocional para encontrar, priorizar e desenvolver produtos que alavancam os negócios e tornam nossas vidas um pouco mais leve e feliz.”

Nosso país tem muitas mentes brilhantes e pesquisadores fantásticos, temos ótimos profissionais atuando em todas as camadas em todos os mercados, o Brasil faz parte da elite mundial em inovação e tecnologia. O stand do Brasil era o mais concorrido, cheio de gente querendo fazer negócios com as empresas brasileiras.

Acho que o mais encantador é a capacidade do brasileiro de se adaptar e entregar valor em qualquer cenário bem desse jeito que Brian Collins falou: leve e simples.

Muitos dos caminhos da internet estão sendo ditados por nós — brasileiros e brasileiras.

E é legal ver a diversidade sendo tão bem tratada, isso traz a tona assuntos que são normalmente discutidos, a organização foca em fortalecer os grupos minorizados, tínhamos 42% de mulheres, muitas startups em parceria com a Black Innovation Alliance.

KondZilla falou e capturou a plateia do Web Summit, exatamente como tem feito com seu gigantesco público que consome seu conteúdo. Um menino da favela, que por ter a oportunidade de estudar, mudou o rumo de sua vida e conseguiu ver novos horizontes (em menor escala, esse que vos escreve passou pelo mesmo processo). Ele abordou assuntos pelos quais luto desde sempre:

Inclusão e acesso às oportunidades para os mais pobres, para os pretos e para as mulheres. E como isso, gera um resultado incrivelmente potente em toda a indústria — trazendo soluções diferentes — e também na sociedade, como uma onda positiva, modificadora das estruturas tradicionais.

Quando uma pessoa que não teria acesso à educação consegue acessá-la, ela impacta, não só a sua vida, mas a de todos que estão a sua volta. Esse impacto positivo ressoa por muito e muitos quilômetros.

A inovação se faz, primeiramente, com acesso e oportunidades, e, a partir daí, a visão, a coragem, a ousadia e a capacidade de execução desses que normalmente não tem acesso, fazem muita diferença.

“Foi um grande desafio. Cresci ouvindo que não era possível. Pobre de comunidade não falava inglês”.

Foi assim que o KondZilla abriu sua palestra, em inglês, no palco principal do maior evento de inovação tecnológica do mundo.

Sabe como ele acabou essa palestra? Aplaudido em pé.

Esse Brasil diverso e aberto ao diálogo, que incentiva as pessoas a estudarem e seguirem seus caminhos, é o Brasil que eu quero. Vi esse Brasil ser ovacionado — que orgulho!

De geração em geração

A geração Z é hiperconectada. Para os chamados nativos digitais, o mundo só existe de uma maneira: phygital. Eles sabem diferenciar conteúdos bons dos ruins, tem fontes confiáveis e consomem tudo de forma prática, direta e sem muito polimento.

Essa geração está mudando conceitos, e algumas empresas estão se dando muito bem por entenderem isso antes das outras. Ouvindo Donald Tang VP da Shein fica claro que o modelo operacional deles é contínuo e integrado

“uma empresa de engajamento sob demanda”

Com a tecnologia + a chegada dessa geração ao protagonismo do trabalho e do consumo, as coisas estão mudando muito mais rápido, o que força as empresas a investirem ainda mais em pesquisas quantitativas, qualitativas e design. Para isso, ter uma estrutura que se adapta fácil é a única maneira de responder com a velocidade necessária.

Essa geração ainda tem outra característica marcante: eles pensam em sustentabilidade de uma maneira mais abrangente, preferindo produtos que durem, sejam sustentáveis e tenham custos menores, afinal, ao comprar algo caro os ganhos são mais altos e consomem mais o planeta. Os investidores já respondem a esse cenário destinando muito dinheiro para estes temas, no quadro Climatech: a trillion dollar opportunity com Nick de la Forge, Sethe Bannon e Yasir Khan, que explorou as investidas nesse segmento de alguns dos maiores fundos de venture capital fica claro como todos estão tentando se moldar a nova geração.

Essa é a geração da transparência, da velocidade, da mobilidade e da preocupação com o meio ambiente.

O evento como um todo

O protagonismo do Web Summit foram as startups com pura diversão e muito aprendizado. Elas mudam todos os dias, vimos ao todo 2300 delas ao longo dos dias e dali dá para tirar uma boa medida de onde as mentes pesquisadoras estão olhando.

Percebi que houve uma mudança de foco no perfil que as grandes empresas e investidores colocam dinheiro, e também em como as startups usam esse dinheiro.

Um tempo atrás, todos queriam as grandes e escaladas startups, e, por isso, elas usavam o dinheiro captado para alavancar. Hoje, o dinheiro busca quem resolve uma parte específica do problema brilhantemente, com uma ótima experiência que entenda profundamente as dores e oportunidades encontradas ali.

Os principais assuntos nas jovens empresas eram saúde, IA e dados no combate a doenças, meio ambiente, trabalho remoto, games, no-code/low-code para dados e para e-commerce, robótica, energia renovável e compensação de carbono.

Definitivamente, sustentabilidade e saúde mental foram os assuntos mais quentes, todo mundo debatendo e atuando nisso:

“se você não pensar na saúde do planeta e do seu colaborador, você estará fora do mercado em breve”

Conclusões

Dados estão sendo usados para tudo

Do esporte até nos governos, passando por guerras, causas sociais e produtos. Dados e inteligência artificial para processar mais dados e ajudar a gerar inteligência para elevar a assertividade das soluções e melhorar a experiência de uso.

Cultura é tudo

A busca em construir e manter uma cultura forte, que retenha talentos e foque em experiência positivas, seja do cliente, do usuário ou do colaborador, a chamada HX (human experience) — ainda existe muito espaço para o crescimento da disciplina.

Tem muito trabalho de design a ser feito

Governança das experiências nos produtos para que a soma de tudo faça sentido e as experiências sejam boas, imersivas, transitando com fluidez entre os mundos e principalmente humanas.

A transformação digital chegou às pequenas e médias empresas

Isso abre novas oportunidades, já que as que se digitalizaram precisam encontrar a eficiência digital, eliminando o medo e a insegurança da massa dos colaboradores que não estão acostumados com essa inovação andando na velocidade da luz.

Todos estão correndo atrás de usar melhores fontes, sejam de energia, de dinheiro, de talentos ou de conhecimento.

Priorizando coisas mais duráveis, adaptáveis e recicláveis, e, claro, compensando o que não der para evitar.

Precisamos aumentar o impacto positivo, social e ecológico, como nos negócios o tão falado ESG — que cabe dentro de um conceito econômico, o capitalismo de stakeholders: de que a empresa crie valor a todas as partes interessadas, colaboradores, acionistas, meio ambiente e a sociedade inteira, por meio de alta eficiência, baixo desperdício, boas distribuição de ganhos e de valor, além da constante busca por soluções ecológicas.

Destaque para Portugal que vem dando aula nisso. Complementando com as palavras de Klaus Schwab:

“Mas, para defender os princípios do capitalismo de stakeholders, as empresas precisarão de novas métricas.

Para começar, uma nova medida de criação de valor compartilhado deve incluir metas ambientais, sociais e de governança (ESG) como um complemento às métricas financeiras padrão.

Felizmente, uma iniciativa para desenvolver um novo padrão nesse sentido já está em andamento, com o apoio das ‘Big Four’ firmas de contabilidade e liderada pelo presidente do International Business Council, CEO do Bank of America, Brian Moynihan”.

Para finalizar:

“Inovação não é uma ideia, é um processo”.

carreira

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